domingo, 1 de janeiro de 2012
FOGUEIRAS de S João: poema de Seferis
"nosso destino, chumbo derretido, não saberia mudar,
não há nada a fazer,
derramou-se o chumbo na água sob as estrelas
apesar das fogueiras que queimam.
Se ficas nua diante do espelho à meia-noite, verás...
verás no fundo do espelho passar um homem que, em teu destino, dominará teu corpo
na solidão e no silêncio, o homem
da solidão e do silêncio
apesar das fogueiras que queimam...
Deverás procurá-lo para que ao menos alguém o encontre quando estejas morta.
São as crianças que acendem fogueiras e gritam diante das chamas na noite quente.
(houve acaso uma fogueira que não a acendesse uma criança, Eróstrato?)
E elas jogam sal nas chamas para que crepitem
(é estranho o olhar que súbito vos lançam as casas, funis de homens, quando as percorre um reflexo)
Mas tu que conheceste o encanto da pedra sobre o rochedo batido pelas vagas
no poente onde a calma desceu,
tu ouviste no fundo de tua carne a voz humana da solidão e do silêncio.
Quando extinguiram-se todas as fogueiras,
e decifraste a cinza sob as estrelas..."
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decifrar as cinzas sob as estrelas
ResponderExcluiré o supra-sumo da profecia...